Elaboração de Planos de Ação

Planos de Ação configuram-se como instrumentos de gestão, que apresentam as diretrizes a serem adotadas para contribuir com a conservação das espécies, mediante a definição e o norteamento dos esforços necessários.

Sendo assim, O IAP, por meio do Projeto Paraná Biodiversidade, promoveu os Workshops para Elaboração de Planos de Ação para a Política Estadual de Proteção à Fauna Nativa (SISFAUNA/PR). Estes eventos contaram com a participação de 70 pessoas, representantes de diferentes instituições de ensino e pesquisa, mantenedores de fauna, órgãos governamentais e organizações do terceiro setor.


PROPÓSITO:

  • Identificar “espécies prioritárias” ou “problemas prioritários com espécies da fauna” para elaboração de seus respectivos planos de ação no Estado;
  • Reunir as informações disponíveis sobre as espécies ou problemas com espécies, com ênfase nos aspectos que envolvam a sua situação no Paraná;
  • Determinar as ações necessárias à conservação dessas espécies no Estado;
  • Elaborar documento complementar de gestão à Política Estadual de Proteção à Fauna Nativa, visando o melhor direcionamento de ações de conservação;
  • Divulgar informações das espécies sob forma de publicação;
  • Constituir um marco inicial de discussões junto à comunidade científica, profissionais especializados, entidades atuantes no tema, entre outros, sobre as estratégias de conservação da fauna paranaense.

AÇÕES CONTEMPLADAS NOS PLANOS:

  • Políticas Públicas e Legislação: ações de base legal essenciais para a conservação de espécies, assim como incorporação, às políticas públicas, da noção de que espécies ameaçadas e seus habitats devem ser conservados e levados em consideração quando da implementação de ações governamentais.
  • Proteção da Espécie e seu Habitat: ações que garantam a proteção ou o manejo adequado de habitats, de forma a priorizar os requisitos ecológicos das espécies. Tais ações contemplam unidades de conservação e suas áreas de entorno, propriedades privadas e demais áreas onde as espécies ocorrem, incluindo estratégias que diminuam as pressões sobre as mesmas e busquem evitar a fragmentação e isolamento de populações.
  • Pesquisa: ações que gerem conhecimento científico adequado e suficiente para embasar a tomada de decisão quanto às estratégias de proteção e manejo mais adequados para as espécies e seus habitats. As informações provenientes das pesquisas também servirão para a verificação do sucesso de implementação das ações previstas nos próprios planos.
  • Manejo das populações em cativeiro: ações que garantam a manutenção e o manejo adequados e integrados de plantéis, a fim de que não haja perda de linhagens genéticas, de forma que os mantenedores de fauna possam participar e colaborar com os programas de conservação.
  • Projetos de reintrodução: prevê ações indicadas para aumentar o número de populações das espécies em vida livre, caso necessário.
  • Educação: prevê ações de integração das atividades de educação ambiental aos programas e planos de ação de proteção à fauna nativa, para que promovam a sensibilização, conscientização e educação da sociedade sobre a importância da conservação das espécies e de seus habitats.
CONTEÚDO DOS PLANOS DE AÇÃO:

a) Descrição sucinta da espécie
b) Ameaças
c) Status
  • Na natureza
  • Em cativeiro
  • Áreas Protegidas
  • Programas de Conservação
  • Estudos realizados ou em desenvolvimento no estado do Paraná

d)
Objetivo Geral e objetivos Específicos
  • Ações de políticas públicas e legislação
  • Ações de proteção da espécie e seu habitat
  • Ações de pesquisa
  • Projetos de reintrodução
  • Ações de educação
Cada ação recebeu um nível de prioridade e um prazo para que sejam atingidas. A escala de prioridades possui quatro níveis:
  • Essencial: Conter um declínio populacional que pode levar à extinção da espécie na natureza e/ou em cativeiro.
  • Alta: Poupar a população da espécie de um declínio de mais que 20% da população em 20 anos ou menos.
  • Média: Evitar um declínio de até 20% da população em 20 anos ou menos.
  • Baixa: Prevenir declínios de populações locais ou que se estima terem apenas um pequeno impacto sobre populações em uma grande área.

Os prazos para que cada objetivo específico seja alcançado têm seis categorias:
  • Imediato: A ser alcançado dentro do próximo ano.
  • Curto: A ser alcançado entre 1 e 3 anos.
  • Médio: Deve ser alcançado entre 1 e 5 anos.
  • Longo: A ser alcançado entre 1 e 10 anos.
  • Contínuo: Objetivo específico sendo atualmente implementado e que deve continuar a sê-lo.

Além disso, foram indicadas, ainda, as formas de como efetuar as ações, as necessidades para tanto, bem como os atores envolvidos.

SEIS TIPOS DE PLANOS DE AÇÃO ELABORADOS:


1) PLANOS DE AÇÃO COMPLETOS PARA AVES E MAMÍFEROS

Contemplam toda a cadeia de informações e ações já existentes e disponíveis sobre as espécies in situ e ex situ, ou seja, natureza e cativeiro. Configuram-se como os “planos pilotos ou modelos” para o estabelecimento das ações de manejo e monitoramento de fauna no Paraná, cujas ações podem ser iniciadas imediatamente.

Os critérios para seleção das espécies para os Planos Completos foram:
a) espécies de ampla distribuição no Estado;
b) espécies com informações e condições favoráveis de manejo e reprodução em cativeiro;
c) espécies cuja distribuição no Estado inclua a existência de áreas protegidas;
d) espécies que possuam trabalhos em andamento ou já realizados, sobretudo informações disponíveis sobre ecologia da espécie na natureza;
e) espécies que possibilitem o estabelecimento de parcerias entre mantenedouros de fauna, universidades e órgãos ambientais;
f) espécies bioindicadoras;
g) espécies ameaçadas no Paraná.

Espécies contempladas:
Plano Espécies contempladas Instituições envolvidas
Aves Arara-vermelha Ara chloropterus
Arara-canindé Ara ararauna
Jacutinga Pipile jacutinga
Maracanã Primolius maracana
Macuco Tinamus solitarius
PMC – MHNCI
PUC/PR
Parque das Aves
Instituto Karuna Brasil
Itaipu Binacional
Criatório Schwartz
Criadouro da Klabin
Mamíferos Queixada Tayassu pecari
Bugio-ruivo Alouatta clamitans
Gato-do-mato-maracajá Leopardus wiedii
PMC – Zoológico de Ctba
UFPRInstituto Karuna Brasil
Itaipu Binacional
Criadouro Onça-pintada
Criadouro da Klabin


2) PLANOS DE AÇÃO PARCIAIS PARA MAMÍFEROS, AVES, TETRÁPODES MARINHOS E PEIXES

Contemplam espécies que necessitam de estudos mais detalhados, bem como de uma estrutura de cativeiro melhor estruturada para que as ações de manejo e monitoramento possam ser realizadas de forma eficaz. Futuramente, após suprir dados básicos de ecologia e cativeiro necessários ao manejo, estas espécies serão inseridas dentro do modelo dos planos de ação completos.

Espécies de mamíferos contempladas:
Plano Espécies contempladas Instituições envolvidas
Mamíferos Tamanduá-bandeira Myrmecophaga tridactyla
Cervo-do-pantanal Blastocerus dichotomus
Veado-campeiro Ozotoceros bezoarticus
Veado-póca Mazama nana
Veado-mateiro-pequeno Mazama bororo
Tapiti Sylvilagus brasiliensis
Anta Tapirus terrestris
Muriqui Brachyteles arachnoides
Mico-leão-da-cara-preta Leontopithecus caissara
Bugio-preto Alouatta caraya
Puma, onça-parda, suçuarana Puma concolor
Onça-pintada Panthera onca
Lontra neotropical Lontra longicaudis
Ariranha Pteronura brasiliensis
Lobo-guará Chrysocyon brachyurus
Cachorro-vinagre Speothos venaticus
Jaguatirica Leopardus pardalis
Paca Cuniculus paca
Morcegos:
Chiroderma doriae
Chrotopterus auritus
Mimon bennettii
Tonatia bidens
Diaemus youngi
Diphylla ecaudata
Eptesicus taddeii
Eumops hansae
UFPR
IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.
IPeC - Instituto de Pesquisas Cananéia
Instituto Mater Natura
SPVS
Instituto Karuna Brasil
Universidade Federal de Minas Gerais.
Projeto Cervídeos Brasileiros,
UNESP/Jaboticabal.
Universidade Tuiuti do Paraná.
Projeto Puma
PMC - MHNCI
EMBRAPA Pantanal.
Itaipu Binacional
Criadouro Onça-pintada
Criadouro da Klabin


Espécies de aves contempladas:
Plano Espécies contempladas Insttiuições envolvidas
Aves Pato-mergulhão Mergus octosetaceus
Papagaio-de-cara-roxa Amazona brasiliensis
Pica-pau-de-cara-canela Dryocopus galeatus
Macuquinho-da-várzea Scytalopus iraiensis
Papo-branco Biatas nigropectus
Bicudinho-do-brejo Stymphalornis acutirostris
Maria-catarinense Hemitriccus kaempferi
Patinho-grande Platyrinchus leucoryphus
Caneleirinho-de-chapéu-preto Piprites pileata
Papagaio-de-peito-roxo Amazona vinacea
Caburé-acanelado Aegolius harrisii
GAVIÕES
Caracoleiro Chondrohierax uncinatus
Tauató-pintado Accipiter poliogaster
Gavião-miudinho Accipiter superciliosus
Gavião-bombachinha-grande Accipiter bicolor
Gavião-pombo-pequeno Leucopternis lacernulatus
Gavião-pombo-grande Leucopternis polionotus
Caranguejeiro Buteogallus aequinoctialis
Águia-cinzenta Harpyhaliaetus coronatus
Águia-chilena Buteo melanoleucus
Gavião-de-rabo-barrado Buteo albonotatus
Uiraçu-falso Morphnus guianensis
Harpia Harpia harpyja
Gavião-pega-macaco Spizaetus tyrannus
Gavião-pato Spizaetus melanoleucus
Gavião-de-penacho Spizaetus ornatus
AVES DE CAMPOS E VÁRZEAS
Curiango-do-banhado Eleothreptus anomalus
Tio-tio Phacellodomus striaticollis
Macuquinho-da-várzea Scytalopus iraiensis
Papa-moscas-canela Polystictus pectoralis
Papa-moscas-do-campo Culicivora caudacuta
Noivinha-de-rabo-preto Xolmis dominicanus
Galito Alectrurus tricolor
Caminheiro-grande Anthus nattereri
Patativa Sporophila plumbea
Caboclinho Sporophila bouvreuil
Caboclinho-de-barriga-vermelha Sporophila hypoxantha
Caboclinho-de-papo-branco Sporophila palustris
Caboclinho-de-chapéu-cinzento Sporophila cinnamomea
Caboclinho-de-barriga-preta Sporophila melanogaster
AVES DE ESTUÁRIOS E BREJOS LITORÂNEOS
Socoí-vermelho Ixobrychus exilis
Socoí-amarelo I. involucris
Caranguejeiro Buteogallus aequinoctialis
Saracura-matraca Rallus longirostris
Saracura-do-mangue Aramides mangle
Martinho Chloroceryle aenea
Bate-bico Phleocryptes melanops
Papa-piri Tachuris rubigastra
Sargento Agelasticus thilius
Figuinha-do-mangue Conirostrum bicolor
Instituto Mater Natura
SPVS
Associação Montanha Viva.
Idéia Ambiental
PMC - MHNCI
Universidade Federal Fluminense
Instituto Karuna Brasil
Criadouro Onça-pintada
Criadouro da Klabin
Parque das Aves
Itaipu Binacional
Criatório Schwartz


Espécies de peixes contempladas:
Plano Espécies contempladas Instituições envolvidas
peixes PEIXES DE ÁGUA DOCE DA PLANÍCIE LITORÂNEA
Lambari, piabinha ou “tetra” Mimagoniates lateralis
Lambari ou piabinha Rachoviscus crassiceps
Cascudinho ou limpa-fundo Scleromystax macropterus
“Lambarizinho” Spintherobolus ankoseion
PEIXES DO RIO IGUAÇU
Astyanax gymnogenys
Glandulocauda melanopleura
Trichomycterus castroi
Austrolebias carvalhoi
Rhamdiopsis moreirai
Cnesterodon omorgmatus
Cnesterodon carnegiei
PMC – MHNCI
Nupélia


Espécies de tetrapódes marinhos contempladas:
Plano Espécies contempladas Instituições envolvidas
Tetrapódes Boto-cinza Sotalia guianensis
Toninha Pontoporia blainvillei
Tartaruga-verde Chelonia mydas
Tartaruga-de-couro ou gigante Dermochelys coriacea
CEM/ UFPR
IPeC - Instituto de Pesquisas Cananéia


3) PLANOS DE AÇÃO OU DELINEAMENTOS PARA CONTROLE DE ESPÉCIES EXÓTICAS
Plano Espécies contempladas Instituições envolvidas
Exóticas Javali Sus scrofa scrofa
Lebre-européia Lepus europaeus
Caramujo-africano Achatina fulica
Cão doméstico Canis lupus familiaris
Gato doméstico Felis silvestris catus
Bagre-africano Clarias gariepinus
Black bass Micropterus salmoides
Tigre-d'água-americano Trachemys scripta elegans
Abelha africanizada Apis mellifera
Sagui Callithrix pennicilata e Callitrix jacchus
Rã-touro Lithobates catesbeianus
Siri-de-espinho Charybdis hellerii
Bagre-do-canal ou catfish Ictalurus punctatus
Camarão-gigante-da-Malásia Macrobrachium rosenbergii
Tilápias
Pombo-doméstico Columbia livia domestica
Instituto Hórus
SEMA
Instituto Antrosphosfera
PMC – MHNCI
Criadouro Tigre d’água
IAP


4) DELINEAMENTOS DE AÇÕES PARA O CONTROLE DE ESPÉCIES NATIVAS EM DESEQUILÍBRIO POPULACIONAL

Inicialmente discutiram-se três aspectos:
1º) espécies em que não há evidências de aumento populacional, mas sim intolerância das pessoas para com elas;
2º) espécies com sinais de aumento, porém com problemas localizados;
3º) espécies com evidente aumento populacional em diversas regiões do Estado.

Desses três aspectos, priorizaram-se as espécies cujos estudos apontam um real aumento populacional com conseqüentes implicações à manutenção de habitats e a geração de conflitos antrópicos. Nesse sentido, as espécies selecionadas foram:
  • Capivara Hydrochaeris hydrochaeris
  • Macaco-prego Cebus nigritus
  • Pomba-amargosa Zenaida auriculata
5) PLANO DE AÇÃO PARA CONTROLE DA PREDAÇÃO DE FELINOS SILVESTRES Á ANIMAIS DOMÉSTICOS

Foram priorizadas duas espécies de grandes felinos: a onça-pintada (Panthera onca) e puma (Puma concolor). Algumas ações propostas, no entanto, também contemplaram indiretamente outros carnívoros, que eventual e localmente predam animais domésticos.

Instituições envolvidas:
  • UFPR
  • IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.
  • Projeto Puma
6) PLANO DE AÇÃO PARA MELIPONÍNEOS (ABELHAS SEM FERRÃO)

Este grupo foi priorizado uma vez que as abelhas nativas sem ferrão desempenham um importante papel para a manutenção da biodiversidade dos ecossistemas. Estima-se que elas sejam responsáveis por 40% a 90% da polinização das espécies florestais nativas. Também vem de encontro com o Plano de Ação para o controle da abelha-africana, onde são previstas ações de substituição da criação desta espécie exótica por espécies nativas.

Instituições envolvidas:
  • APA – Associação Paranaense de Apicultores
  • PTS – Parque de Tecnologia Social
  • MHNCI – Museu de História Natural do Capão da Imbuia
  • SEAB/DEFIS
  • SEAB/DERAL
  • SEMA
  • SPVS
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